Pra não dizer que não falei de crônicas

Nunca houve uma mulher como Gilda, por Mirtes Scalioni

Casada, mãe de três crianças na pré-escola, Gilda era uma figura bem conhecida no bairro de classe média onde morava, em Belo Horizonte, naquele início dos anos de 1980. Simpática, falante, disponível e despachada, vivia por conta de casa e filhos, e não costumava esconder as dificuldades financeiras que vivia. Em tempos de crise, com o marido sempre desempregado ou ...

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Gimirulino é prosa de bicho, por Ricardo Rodrigues

Na vida a questão maior é onde colocar o desejo? O amor é mais forte do que nós e as nossas circunstâncias? O vaqueiro Gimirulino emenda ser preciso olhar o capim debaixo da rês. Sabedoria sertaneja é assim: prova simplicidade para sobreviver em conta. Quem liga pras loucuras do Uauaretê a passo do lajedo onde demora? Onça velha não perdeu ...

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Futebol e guerra, do céu ao inferno!, por Fernando Zuba

O ano era 1982, e a promissora Seleção Brasileira, comandada por Telê Santana, realizava parte de sua preparação na Toca da Raposa – casa do Cruzeiro. Caju, então motorista da Rádio Capital, era encarregado de transportar os repórteres da Avenida do Contorno, quase esquina com a Avenida Afonso Pena, onde ficava a sede da estação, até à Lagoa da Pampulha, ...

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De onde sou, por Márcia Lage

Um certo mal-estar atrasa minha resposta, todas as vezes que me perguntam de onde sou. Fico na dúvida se digo que sou mineira ou que nasci em Minas Gerais. Ambas as opções soam como se eu fosse revelar uma coisa muito feia, algo abusivo ou violento, feito menina estuprada ou mulher que apanha do marido. E guardam segredo, por amor ...

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A tragédia da Gameleira, por Ivan Drummond

São muitas as cenas e acontecimentos da minha infância que ficaram marcadas na minha memória. Um desses acontecimentos, trágico, completou 50 anos em 4 de fevereiro: “a tragédia da Gameleira”. Foi quando o pavilhão, que seria o maior da América Latina e transformaria Belo Horizonte, que deixaria de ser apenas mais uma capital brasileira, para ser sede de grandes eventos. ...

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O jornalista que virou rainha, por Márcio Metzker 

Quando Fernando Collor era presidente da República, minha ex-namorada Lúcia Helena aceitou um convite para desenvolver o projeto gráfico de um jornal que o PC Farias estava montando em Alagoas para ameaçar o poder de imprensa do Pedro Collor. Investiram milhões de dólares no projeto e aquilo começou a ser investigado como parte do processo de impeachment do presidente. Peguei ...

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A saga para fugir do covid, por Ivan Drummond

Ninguém me falou que seria assim, melhor, teve a preocupação de falar as dificuldades desse período. Desde o final de fevereiro, que estou em home office. Só saio de casa em raríssimas situações, como para pagar contas, ir à farmácia. Até supermercado, na maioria das vezes, é pelo telefone. Mas os últimos dias foram terríveis. A história começou com a ...

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Tropeçando na semântica, por Hélia Ventura

“Conhece o vocábulo escardinchar?” “Qual o feminino de cupim?” Tem coisas que me salvam. Uma delas é a boa memória. As primeiras frases deste texto foram resgatadas de lembranças da minha primeira aula de semântica no curso de Comunicação Social da Fafich. O ano: 1971, o mesmo em que entrei para a faculdade. Nunca havia tido aula de semântica. Pelo ...

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Minha primeira feminista, por Mirtes Helena Scalioni

Eram oito meninas morando naquela república no bairro Santo Antônio, perto da Fafich, a Faculdade de Ciências Humanas da UFMG onde sobravam intelectuais, loucura, modernidade e a esquerda possível naquele ano de 1973. Todas vieram do interior, eram virgens e ajuizadas, e queriam muito descobrir o mundo com suas delicias e perigos. Ninguém sabe direito de onde surgiu a Zefa, ...

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