Um clássico inesquecível, por Rogério Perez

E daqui do sofá amarelo, sigo meu cotidiano de idas e vindas, rodeado em minha volta,
sinfonia de pardais, de barulhentas maritacas, imponentes tucanos e de uma vida interiorana
que neste mês de março, entre o aniversário da Regina e do Galo Carijó, me senti
verdadeiramente dentro de um clássico, daquele raiz entre Galo x Raposa, Fla x Flu, Boca x
River, Grenal, e tantos outros que são aguardados anualmente por atletas, torcedores,
dirigentes e a imprensa.

Meus pensamentos tomam formas, já que cobri tantos em minha vida, com atuações
memoráveis de Reinaldo, Éder, Cerezo, Dadá, Tostão, Joãozinho, Alex, Ronaldo Dentuço e
tantos outros que escreveram a história nos gramados, mas que pra este velho espanhol havia
perdido o brilho por viver diariamente o exaustivo trabalho do jornalista.

Seguia minha rotina e não alterava muito meus afazeres, pois se tornou apenas um jogo para a
classificação do campeonato, diferente do meu trio, formado por Leo, Bruno e Gu que ainda
vivem intensamente cada segundo do grande clássico mineiro.

Mas o assunto é a vacina, que assim como o clássico, também havia deixado de ser algo fora
do comum e se tornado um dia de jogo normal na redação do jornal. Para as crianças,
crescendo, cada vacina era uma vitória com o time da ciência jogando bem e deixando
derrotado a doença que afligia.

Como um vídeo tape que dentro de mim retrata a história dos clássicos, daqui do sofá amarelo
percebo que esta viagem dentro de mim foi tão linda, que trouxe de volta os bons tempos de
aglomeração no Horto, do Mineirão raiz e de tantas outras histórias e estórias.
Porém, o sentimento do grande clássico que havia se tornado comum, retorna como nos bons
tempos de torcedor de arquibancada, com cerveja no copo de papelão, ao lado do Léo, Bruno,
Gu e depois os netos Bruna, André, Mateus e Lucas.

É fascinante reviver um clássico!

Um ano de espera, mudança de cidade, incertezas, preocupações, com todos os scouts
atualizados diariamente, finalmente chegou o dia do maior clássico dos últimos tempos.
Afinal, era dia de vencer o jogo de ida, sem tomar um gol, contra o adversário que me mudou o
rumo de minha vida, tentou me tirar o filho caçula Gustavo, que ousou se aproximar de Lucas,
Jânia e Mateus, e que fez do mundo um lugar mais difícil de se viver, com um novo normal,
sofrido e que ainda derrama lágrimas.

Dia 23 de março de 2021, a lágrima é de crocodilo, ou quem sabe se torne de jacaré, mas o
certo é que vencemos o primeiro grande clássico, com um show da ciência, do Butantã, e de
todos os envolvidos que fazem de São Vicente de Minas um exemplo em saúde.

Vou voltar à realidade, pra este mundo de Deus, sentado no sofá amarelo e com meu radinho
de pilha, sigo a vida, cantando para a majestade, o sabiá…

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3 comentários

  1. Excelente notícia e crônica!!!!

  2. A vacina tem que ser comemorada como um verdadeiro gol de placa . E a população tem que ter fé que dias melhores virão, com vacinas para todos, como naqueles clássicos do Galo com a torcida gritando : eu acredito . Muita saúde e que em breve possamos voltar a normalidade .

  3. Continue a escrever…

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