Jornalistas participam de manifestação em defesa da democracia

Jornalistas mineiros participaram nesta quinta-feira 31/3/16 das manifestações realizadas no Brasil e no exterior em defesa da democracia. Em Belo Horizonte, a concentração ocupou o maior espaço público da capital, a Praça da Estação, local de manifestações históricas e de expressão dos movimentos populares. Uma imensa faixa exprimia o sentimento do encontro: “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”.

Não fossem os discursos, as faixas e cartazes de conteúdo político e as palavras de ordem gritadas pela multidão (a mais repetida era: “Não vai ter golpe, vai ter luta!”), a aglomeração poderia ser confundida com uma festa. E era efetivamente uma festa da democracia. Enquanto oradores e artistas se revezavam no palanque, no chão da praça, pessoas de todas as cores e idades, empunhando bandeiras vermelhas, enroladas em bandeiras do Brasil, se confraternizavam, em ambiente de liberdade, sem violência, sem incidentes, sem manifestações de ódio e preconceitos.

Organizado pela Frente Brasil Popular e pelo movimento Povo Sem Medo, o ato foi denominado “Canto da Democracia” e contou com a adesão de dezenas de artistas mineiros, que se apresentaram no palco. Entre eles: Toninho Horta, Nem Seco, Juarez Moreia, Lucas Fainblat, Chico Amaral, Sara Não Tem Nome, Wander Lee, Gustavito, Titane, Dudu Nicácio, Gabriel Guedes, Tribalzen e muitos outros.

“Não temos o dinheiro da Fiesp nem das multinacionais, mas temos uma força maior, a força do povo”, disse o veterano jornalista José Maria Rabêlo, vice-presidente da Casa do Jornalista. Exilado durante a ditadura (1964-1985), ele lembrou o golpe de 1964, ocorrido há 52 anos, no mesmo dia, para afirmar que o desfecho do golpe atual seria diferente. “A ferida aberta no dia 31 de março de 1964 está sendo fechada hoje, aqui”, disse outro orador.

Inúmeros cartazes de contestação à atuação da grande mídia no golpe mostravam que o jornalismo chegou ao centro da política brasileira. Em inúmeras rodas as discussões giravam em torno das empresas de comunicação e muitos faziam questão de distinguir os empregados dos seus patrões. Um cartaz com os dizeres “Jornalista também é trabalhador” e a faixa “Jornalistas contra o golpe” traduziam esta ideia.

(Foto: Jornalistas mineiros marcam presença na manifestação em defesa da democracia. Crédito da foto: Marcos Alvarenga.)

 

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