Pra não dizer que não falei de crônicas

Perdemos, por Mirtes Helena Scalioni

Quando a Secretaria da Cultura – que nem ministério é – dá sinais de que a censura pode voltar; quando os radares das estradas são desligados incentivando a morte; quando o STF acata a decisão de um júri popular de uma pequena cidade, dando liberdade a um homem que esfaqueou sua mulher por ciúmes, sob a justificativa de uma anacrônica ...

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Papo de mineiro, por Carlos Herculano Lopes

Quando o ônibus parou naquela lanchonete perto de Curvelo, depois de ter saído bem de manhãzinha de Matias Cardoso, ou talvez de Capitão Enéas, fazia um calorão daqueles, do qual todos os passageiros estavam reclamando. Nem sinal de nuvem no céu. Nas vastas terras do norte mineiro, de onde vinham, imperava a seca, com plantações e gado morrendo. Conseguir uma ...

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Nunca mais!, por Arnaldo Viana

Sexta-feira qualquer. Tarde suave naqueles tempos verde-oliva, entre os anos 1960/70. Ele caminha rente ao Parque Municipal, na Afonso Pena. Sorri e murmura: “E os trogloditas querem cercar esta maravilha!”. Atravessa a Bahia e para entre os edifícios Sulacap e Sul América. Mãos nos bolsos das calças cor de areia, olha o viaduto Santa Tereza pelo vão dos dois prédios. ...

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Amor platônico, por Fernando Ângelo

Quando eu nasci, ela já havia completado 7 anos de vida. Ao comemorar meus 7 anos, ela mocinha, era o centro das atenções. Cheia de novidades, um visual diferente de tudo que existia. Foi quando a vi pela primeira vez na casa do vizinho da frente. Todos os dias, indo e voltando da escola, eu fazia aquele trajeto, ansioso para ...

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O ressuscitado, por Dalila Abelha

Determinado a vingar-se da insólita e infeliz existência, olhou mais uma vez o retrato da mãe que trazia sempre na carteira, tocou-o suavemente com o polegar e o colocou no bolso da camisa que usava. Depois, deixou-se cair na velha poltrona de couro marrom, herdada do pai, um dos poucos objetos que levou consigo do lar desfeito. Olhou para a ...

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De volta ao maldito 1968, por Ivan Drummond

Manhã de 14 de dezembro de 1968. Sempre que lembro dessa data, volto no tempo. Mais precisamente ao dia seguinte à publicação do AI-5 (Ato Inconstitucional número 5), que cassou direito dos políticos no país, uma das fortes marcas da ditadura militar. Como disse, era 14 de dezembro de 1968. Não houve aula naquele dia. A ordem, não sair à ...

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Fantasmas e loucos de Ouro Preto, por Mauro Werkema

Fala-se em Ouro Preto que se cercar é hospício e se cobrir é circo. Não se trata de depreciação da cidade que é hoje Patrimônio Cultural da Humanidade (Unesco/1980) e que nos seus 312 anos de existência tem muitos feitos históricos, cívicos e culturais. E é um destino turístico de fama internacional. Mas a verdade é que a velha cidade, ...

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Os encantos da Cidade, por Cláudio Arreguy

Cidade. Seis letras que significavam tudo. “Vou dar um pulo na Cidade.” Carecia de explicação. Tanto quem falava quanto quem ouvia sabiam do que se tratava. Tantas décadas depois, nem sei se alguém ainda se refere assim ao Centro de Belo Horizonte, o universo limitado pela Carandaí ‒ que cruzava a Afonso Pena e desembocava na Guajajaras ‒, as praças ...

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Sonhos ressuscitados, por Déa Januzzi

Outro dia pediram que enviasse meu currículo. Lembrei-me imediatamente do escritor Rubem Alves, que já no entardecer da vida escreveu: “Minha alma é um bolso onde guardo minhas memórias vivas. Memórias vivas são aquelas que continuam presentes no corpo. Uma vez lembradas, o corpo ri, chora, comove-se, dança. O que a memória amou fica eterno, disse a poeta Adélia Prado. ...

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Nossa canção, por Mirtes Helena Scalioni

Ao acordar todo dia, no meio do pandemônio, ela se pergunta se é mesmo verdade ou pesadelo. Em que momento a ficção virou real? Qual é mesmo a página do livro onde leu que é preciso mais do que lavar as mãos com sabonetes perfumados e incrementar a limpeza, agora rigorosa, com álcool e outros tais? Quando é mesmo que ...

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