Sulamita Esteliam lança livro ‘Em Nome da Filha’ na Casa do Jornalista nesta sexta 12/4

Depois do Recife, cenário em torno do qual se desenrola a história, a jornalista e escritora Sulamita Esteliam (foto abaixo) lança em Belo Horizonte, na Casa do Jornalista (Avenida Álvares Cabral, 400, Centro), nesta sexta-feira 12/4, às 20h, seu livro Em Nome da Filha (Editora Viseu, 196 páginas).

O lançamento contará com apresentação artística de Eda Costa – Memória de Bitita, o Coração que não silenciou, um recorte –, que dialoga com a temática do livro. O coletivo Linhas do Horizonte, que borda resistência, se fará presente com um painel sobre feminicídio; apresentado na celebração-protesto do 8 de Março, ele relaciona o nome das mulheres mineiras vítimas letais desse crime em 2019.

Em Nome da Filha tem como tema a violência contra a mulher – relacionamento abusivo, feminicídio e luta por justiça. Uma história real, triste, que acontece todos os dias em todas as partes do Brasil e do mundo, mas uma história de força, amor e dedicação incondicionais.

Disponível também no formato ebook, o livro é a história de um relacionamento abusivo, que acaba em assassinato com requintes de crueldade, e da luta da mãe da vítima para fazer justiça. Um crime anunciado, como definido pela imprensa à época dos acontecimentos, e que chocou a sociedade pernambucana. Num tempo em que não existia a Lei Maria da Penha, que é de 2006, nem o homicídio de mulher, pelo fato de ser mulher, estava inscrito no rol dos crimes hediondos, o que só ocorre em 2015.

Os termos relacionamento abusivo e feminicídio também não eram usados no início e fim dos anos 90 do século passado. A despeito disso, morte e julgamento do réu tiveram ampla cobertura, apesar de se tratar de gente simples, do povo. O nível de crueldade e a singularidade dos detalhes estarrecedores do homicídio se encarregaram de transformá-lo em pauta.

A ideia do livro é não deixar que crimes desta natureza se percam na memória nem se escondam entre quatro paredes do lar indevassável. Não obstante a atualidade do tema, a publicação do livro foi outra saga: foram 13 anos para trazê-lo a público.

“Pretende ser um alerta para as mulheres para que não se percam no labirinto das emoções mal resolvidas. Amor não tem que rimar com dor. E se propõe a ser um chamado para toda a sociedade para que não se omita. Em briga de marido e mulher é preciso, sim, meter a colher. Em última instância, quer chamar atenção para o imperativo de se rever os valores que sustentam os desarranjos das relações familiares, a cultura da posse que alimenta o machismo, a misoginia, a violência. É fundamental educar meninas e meninos para serem companheiros que se respeitam, não senhores e vassalos.”

Em Nome da Filha é um romance-reportagem, no mesmo estilo do primeiro livro da autora – Estação Ferrugem, Vozes, 1998, 302 páginas. O primeiro livro da autora conta a história da região operária de Belo Horizonte-Contagem e da resistência operária à ditadura civil-militar implantada em 1964, que durou 21 anos, tendo como fio condutor uma família de migrantes em busca de vida melhor na capital.

Ana Veloso, jornalista e professora da UFPE, assina o prefácio do livro em lançamento. A orelha é de autoria de Elma Heloíza Almeida, jornalista mineira radicada em Brasília, DF.

SINOPSE

Em Nome da Filha

Que estranho poder é esse que leva uma mulher a colocar a própria vida em risco para continuar ao lado de um homem que a maltrata? O que o move? Como explicar tamanha obsessão?

Carlos dizia a Mônica que a amava, e que enlouqueceria se fosse obrigado a viver sem ela. Mas que amor é esse que machuca, tortura, aterroriza, subjuga? E que amor é esse que se submete, se anula, se morre um pouco a cada dia?

Mônica tinha 13 anos, quando Carlos cismou que ela seria dele. Obcecado, ao longo de oito anos, destruiu toda e qualquer tentativa de vida própria que ela buscasse ter. Enfrentou obstinada e ferrenha oposição da mãe da menina, que parecia intuir o destino que a filha poderia vir a ter nas mãos daquele homem. Valeu-se de todo e qualquer expediente para fazer alcançar seu desejo, inclusive prerrogativas de militar do Corpo de Bombeiros.

Conquistou-a. Mais do que isso, tornou-a escrava de sua paixão desmedida.

Dividida entre o amor e o medo, Mônica bem que tentou resistir, buscando outros relacionamentos, com apoio da família. Chegou a casar-se com outro homem. Em vão. O destino, ou seja lá o que for, a atraía para o seu algoz.

Gercina, a mãe, quase enlouqueceu quando perdeu a filha. Mas encontrou uma razão para ressurgir das cinzas: criar os dois netos – órfãos também de pais vivos -, e fazer Justiça.

Não seria nada fácil. Esta saga a consumiria e a toda família.

SERVIÇO:
Lançamento do livro Em nome da Filha
Autora: Sulamita Esteliam
Categoria: romance
Nº de páginas: 196 – disponível também no formato ebook
Editora Viseu, Maringá –Paraná

Dados da autora: Sulamita Esteliam é jornalista, escritora e blogueira independente. Autora do livro Estação Ferrugem – Altitude 898.298 graus, Vozes, Petrópolis/RJ, 1998 – romance histórico da resistência operária á ditadura civil-militar de 1964-1985 na região industrial de Belo Horizonte-Contagem, 302 páginas.

Mineira de Belo Horizonte, formada em Jornalismo pela Fafich/UFMG, trabalhou em vários jornais e nas sucursais da revista Manchete e do jornal O Globo, em Belo Horizonte. Mudou-se para Brasília, onde foi assessora de Imprensa e chefe de gabinete do então deputado federal pelo PT, Nilmário Miranda, ex-secretário Nacional de Direitos Humanos no governo Lula. Foi, também, repórter e editora de Economia da antiga Rede Manchete, no Distrito Federal.

Vive no Nordeste desde julho de 1994: Fortaleza/CE, onde esteve repórter da TV Ceará e editora de Economia do jornal O Povo. No Recife a partir de julho de 1997, fez Assessoria de Comunicação para o Sindicato dos Bancários PE por 15 anos.

Integrou a equipe da Secretaria de Comunicação da Prefeitura do Recife, na primeira gestão de João Paulo da Silva (PT). Dentre outras atividades, foi responsável pelo projeto e edição dos jornais Recife Melhor, de distribuição gratuita, com tiragem de 300 mil exemplares; e do Jornal da Gente, este voltado para os servidores municipais.

Edita o blogue A Tal Mineira (atalmineira.com) sobre direitos humanos, política e cultura, inaugurado em 11 de setembro de 2010.

(Foto: Sulamita Esteliam, no lançamento do livro em Recife. Crédito da foto: Beto Oliveira.)

 

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[10/4/19]

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Um comentário

  1. Gostei muito do livro da Sulamita. História real de tantas mulheres de nosso Brasil. Parabéns!

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