Brasil de Fato MG completa 5 anos e celebra com festa

Completar 248 edições e cinco anos de circulação ininterrupta numa época em que os jornais impressos definham e as verbas publicitárias públicas para a mídia alternativa se tornaram escassas. Bastava isso para o Brasil de Fato MG comemorar, mas o semanário tem outros motivos. Na sexta-feira, dia em que é distribuído, sua tiragem de 40 mil exemplares bate as de veículos tradicionais como o Estado de Minas e o Hoje em Dia, segundo o IVC; o jornal já chega a 60 cidades mineiras e, principalmente, vem vencendo, semana após semana, o desafio de criar uma comunicação popular.

A editora Joana Tavares avalia que havia demanda por um jornal popular. “O jornal é muito querido. Poucos exemplares são descartados, apesar de ser gratuito”, conta.

Quando o Brasil de Fato MG é distribuído, nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, os leitores já estão esperando por ele. Isso se deve ao hábito criado nesses cinco anos, no qual o jornal não deixou de circular uma semana sequer, mas também ao esforço coletivo de produzir conteúdos de interesse popular.

“Temos duas grandes linhas editoriais: apresentar um ponto de vista diferente do ponto de vista da mídia comercial e dar visibilidade a problemas que são excluídos da mídia comercial”, explica a editora.

Seguindo esse caminho, o jornal trata de temas como violência, dor e corpo da mulher, por exemplo, sem transformá-los em espetáculo, sem apelar para o sensacionalismo. A cobertura política, que vai na contramão do que é produzido pela mídia hegemônica, ocupa parte importante do jornal, mas o Brasil de Fato MG se preocupa em não ficar apenas no denuncismo, segundo Joana, e busca enfoques positivos.

Por entender que os trabalhadores têm direito a uma comunicação de qualidade, o semanário diversificou sua cobertura, distinguindo-se do Brasil de Fato original, semanário de circulação nacional fundado há 15 anos. “A vida é múltipla, tem muitos aspectos importantes”, justifica a editora.

As páginas do BdF têm também espaço para cultura, esportes, televisão, saúde, culinária, palavras cruzadas e até quadrinhos. O noticiário nacional e internacional preocupa-se em ser sintético e simples, procurando esclarecedor o que sai em outros veículos, mas também o que fica de fora e interessa aos trabalhadores. “Essa é a parte mais desafiadora e mais gostosa”, diz Joana.

Ela ressalta que Brasil de Fato conquistou a periodicidade semanal num cenário adverso, em que a mídia é concentrada e a distribuição de verbas publicitárias também. Há evidente discriminação de governos contra veículos alternativos. Esta semana, por exemplo, enquanto jornais comerciais circulavam com anúncio de página inteira ou meia página divulgando a campanha de vacinação da prefeitura da capital, o BdF foi ignorado.

“A concentração da verba publicitária é um problema histórica”, ressalta Joana. “Entendemos que temos o direito de receber verbas públicas de pulicidade como os veículos comerciais”, enfatiza.

Ela acrescenta que o golpe de 2016 escancarou o papel da mídia hegemônica, que apoiou o impeachment da presidenta Dilma e foi recompensada com farta publicidade, depois. O golpe perseguiu a comunicação pública, desmontou a EBC e cortou publicidade para veículos alternativos. Ao mesmo tempo, porém, observa a editora, cresceu o interesse por um jornalismo que mostrasse outro ponto de vista.

Superando as dificuldades financeiras com o apoio de movimentos populares e sindicatos de trabalhadores, o BdF na verdade cresceu, nos últimos anos, deixando de ser apenas um jornal impresso para se tornar um sistema de comunicação, com versão na internet e páginas nas redes sociais, um programa de rádio semanal, na Rádio Autêntica Favela, e integrando uma rádio agência nacional. Além de Minas Gerais, o Brasil de Fato tem edições no Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraíba. A edição da Bahia vai começar a circular.

Ao completar cinco anos, o BdF MG faz planos de expansão: os objetivos são aumentar a tiragem para 100 mil (o que já aconteceu em algumas edições especiais), chegar a outras cidades mineiras e ampliar sua programação radiofônica.

“O Brasil de Fato Minas Gerais é um jornal de muitas mãos. Ele expressa a vontade coletiva de movimentos sociais de construir uma comunicação popular”, define Joana Tavares. “São quinze anos de coerência, produzindo jornalismo do ponto de vista do trabalhador.”

O sucesso do BdF MG foi celebrado na sexta-feira 24/8 com uma festa no Armazém do Campo, mantido pelo MST no Barro Preto, e homenagens àqueles que todas as sextas-feiras fazem uma nova edição do jornal chegar às mãos dos leitores.

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#SindicalizaJornalista

(Na imagem, a capa da edição nº 248 do Brasil de Fato MG.)

[27/8/18]

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