#DeixaElaTrabalhar: jornalistas esportivas se mobilizam contra o assédio sexual

Jornalistas esportivas lançaram na sexta-feira 23/3 a campanha #DeixaElaTrabalhar, contra o assédio sofrido em estádios de futebol e outros locais em que elas exercem sua profissão. Um vídeo com participação de dezenas de jornalistas está sendo divulgado nas redes sociais chamando atenção para o problema e exigindo respeito para o trabalho das jornalistas de esportes.

A situação, que não é nova, gerou reação das jornalistas a partir de dois episódios recentes ocorridos em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, com as repórteres Renata Medeiros e Bruna Dealtry, respectivamente. Bruna foi beijada à força por um torcedor durante cobertura ao vivo para o canal Esporte Interativo. Renata foi xingada de puta por um torcedor quando cobria o Grenal para a Rádio Gaúcha.

No vídeo, além de denunciarem, com imagens e sons, os dois episódios, as jornalistas contam que também já passaram por situações semelhantes. “Já aconteceu com todas nós”, diz uma das profissionais. “O esporte também é lugar nosso”, explica outra. “Somos mulheres e profissionais”, “só queremos trabalhar em paz”, acrescentam outra duas. O assédio é “desrespeitoso”, “nojento”, “ofensivo”, “uma violência”, definem. “Chega! Deixa ela trabalhar!”, encerram as jornalistas no vídeo, que pode ser visto abaixo.

Incômodo antigo

O incômodo sentido há muitos anos pelas jornalistas que cobrem esportes foi a motivação do grupo. “É um sentimento coletivo”, disse a jornalista Gabi Moreira ao Sindicato. “A causa é de todas nós.” O movimento, que começou num pequeno grupo de WhatsApp, já reúne grande número de profissionais. “Só hoje já entraram cinco meninas novas”, informou Gabi.

Além de canais nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twittter), nos quais as jornalistas podem deixar seus relatos, o movimento prepara ações práticas junto às instituições públicas, como os Juizados Especiais Criminais (Jecrim) e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O objetivo é sensibilizar as autoridades para fiscalizar esse tipo de crime, a exemplo do que já acontece com os crimes de discriminação racial. Um e outro estão previstos no artigo 243G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), e, assim como a injúria racial, a injúria às mulheres pode ir para a súmula dos árbitros.

As jornalistas querem também contar com o apoio dos veículos, inclusive com ações internas, nas redações. O vídeo já foi exibido nos canais ESPN, SporTV, no programa da Fátima Bernardes e no Esporte Interativo.

[26/3/18]

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