Sindicatos e movimentos sociais convocam para mobilização geral nesta sexta 31/3

Em entrevista realizada na Casa do Jornalista (foto, lideranças sindicais e de movimentos sociais convocaram os trabalhadores a se mobilizarem contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista no dia nacional de luta que acontecerá nesta sexta-feira 31/3. O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes, informou que a categoria se mobilizará de duas formas: vestindo preto nas redações e participando da concentração marcada para a Praça da Assembleia, a partir das 17h. “Nossa categoria já sofre com a terceirização e vai sofrer ainda mais, caso a reforma passe”, disse Kerison.

A presidente da CUT Minas e do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, informou que grande diversidade de trabalhadores de todas as regiões do estado é esperada na manifestação. “As ruas estão aderindo, os motoristas buzinam, os motoqueiros também, as pessoas que passam entram na manifestação”, disse Beatriz, referindo-se às manifestações de professores estaduais em greve no dia 28 e à mobilização realizada no dia 15 de março. No dia 15, cerca de 150 mil pessoas foram às ruas em Belo Horizonte. A presidenta do Sind-UTE no entanto não quis falar em números para esta sexta-feira. “As expectativas são sempre superadas”, disse.

Entre os trabalhadores que decidiram participar da mobilização estão os da rede estadual de ensino, redes municipais de ensino, da agricultura familiar, eletricitários, metroviários, servidores municipais, bancários, petroleiros, técnicos da UFMG, metalúrgicos, MST e Movimento dos Atingidos por barragens. A mobilização sairá da Praça da Assembleia em direção à Praça Sete e terminará com um ato cultural na Praça da Estação.

Valéria Morato, diretora do Sinpro Minas, diz que os trabalhadores vão às ruas dialogar com a população, para mostrar o que significa a reforma da previdência e os impactos que ela terá na vida das pessoas. “Belo Horizonte será inundada por um mar de gente que vai barrar essas reformas”, disse.

Para Juliano Vidral, da frente Povo Sem Medo, a oposição popular vai ter papel determinante para impedir a reforma da previdência. Ele lembrou que no dia 15 professores interromperam as aulas e disse que isso voltará a acontecer nesta sexta-feira. “Nem a ditadura militar rasgou tanto a CLT quando o governo Temer. A saída é o povo nas ruas para derrubar esse governo fascista”, defendeu.

A juventude vem dando um recado claro contra o governo ilegítimo de Michel Temer, segundo o diretora da UNE Márcio Brito. “Há muita disposição de luta da juventude, nas periferias a mobilização é cada vez maior”, disse. Ele explicou que as reformas do governo atingem em cheio a juventude, que são a maioria dos 14 milhões de desempregados e que perdem a perspectiva de aposentar, caso a reforma da previdência seja aprovada. Lembrou que o governo já aprovou a reforma do ensino médio e o congelamento dos investimentos por 20 anos. “Não estamos dispostos a aceitar o desmonte do nosso futuro e perder os direitos conquistados desde a redemocratização”, acrescentou.

Beatriz Cerqueira atacou a enxurrada de reformas constitucionais e denunciou que o Congresso não tem autoridade para fazer a revisão da Constituição. Kerison Lopes reforçou este ponto de vista. “O golpe representou uma quebra institucional e agora estamos sofrendo as consequências disso. Esse Congresso não é uma Constituinte”, enfatizou. “Quem deveria manter o estado de direito, o STF, está metido no golpe até o pescoço”, denunciou.

Diante desse quadro, não resta outra alternativa aos trabalhadores senão se mobilizarem cada vez mais, disse Kerison. “Ou vamos voltar à situação anterior à Revolução de 30”, comparou. Beatriz ressaltou que a reforma a previdência é especialmente perversa com as mulheres. “As mulheres aposentam antes porque trabalham mais. São as mulheres que cuidas das crianças e dos velhos, que têm toda a responsabilidade sobre a casa. É um desrespeito com as mulheres”, disse.

Ela também denunciou o golpe que a reforma representará para os professores. “Professores cumprem jornadas duplas ou triplas, extenuantes. Como pensar que poderão permanecer 49 anos em sala de aula?”, protestou. A presidenta do Sind-UTE lembrou que outras categorias profissionais não conseguem trabalhar durante 20, 30 ou 40 anos com carteira assinada, como pedreiros, empregadas domésticas e trabalhadores rurais. “Essas categorias serão excluídas da previdência”, informou.

Beatriz informou também que a data de 31 de março para a mobilização foi escolhida por ser aniversário do golpe militar de 1964. “Hoje vivemos outro tipo de golpe, parlamentar, com apoio da mídia e de setores do judiciário. Queremos rememorar o golpe de 64, debater e preparar para a greve geral do dia 28 de abril”, explicou. A mobilização faz parte do congresso extraordinário da CUT MG, que terminará com um ato simbólico em defesa da democracia em frente ao prédio do antigo Dops, na Avenida Afonso Pena, no sábado 1º de abril.

A presidente do Sind-UTE lembrou que, pelo cronograma do governo golpista, a reforma da previdência estaria aprovada em segundo turno no dia 6 de abril, mas as mobilizações já acorridas desarticularam esse plano. “Se não fosse esse movimento, a reforma da previdência já teria sido aprovada”, analisou. Ela criticou a “manobra covarde” que aprovou a terceirização total, quando a sociedade tentava entender a reforma proposta. “Vivemos uma esquizofrenia política, em que os deputados votam contra os interesses de quem os elegeu”, sintetizou.

[30/3/17]

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