‘Ocupa Minas’ – Página no Facebook centraliza informações sobre as ocupações de escolas em Minas Gerais

‘Ocupa Minas’ é o nome da página criada pelo movimento estudantil que está ocupando escolas públicas em Minas Gerais. Ela pode ser acessada aqui: https://www.facebook.com/ocupaminas/. “Quem acha que a juventude tá perdida, nunca conheceu uma ocupação”, afirma a página na seção “Sobre”. “Ocupo pra afrontar a ausência de direitos.” Em quatro dias, a página alcançou de mil curtidas.

De fato. As publicações feitas a partir do dia 31 de outubro documentam a seriedade e maturidade do movimento dos jovens. São fotos, vídeos e textos sobre diversas ocupações, como a da Escola Estadual Santos Dumont, em Venda Nova, na zona norte da capital; da Escola Estadual Governador Milton Campos, o Estadual Central, localizada no bairro de Lourdes, na zona sul; das E. E. Itamar Franco e a E. E. Geraldo Teixeira da Costa, em Santa Luzia; E. E. Isabel Motta, em Diamantina, entre outras.

AULAS

Acompanhando as publicações do Ocupa Minas, é possível conhecer um pouco mais o funcionamento do movimento e o que nossas crianças estão fazendo nas ocupações. Lá está, por exemplo, a programação semanal do Estadual Central, a primeira ocupação ocorrida em Minas, há mais de um mês. Ela inclui oficinas, rodas de conversas, reuniões, debates, saraus e shows. Não faltam aulas, porém. Para esta quinta 3/11, estava programada uma aula sobre educação, religião e laicidade, do professor Paulo Agostinho, de Ciências da Religião na PUC Minas, além de aulas de sociologia e literatura.

Entre as rodas de conversa, foram programadas também uma sobre social-democracia, com professores do Colégio Dom Silvério, e outra sobre “a formação crítica de documentaristas sociais”, com Richardson Pontone. Professor, documentarista e pesquisador em mídias digitais, Pontone é integrante da diretoria da Associação CurtaMinas/ABD-MG e professor da PUC Minas. As oficinas são sobre meditação, psicanálise, defesa pessoal e mediação de conflitos, entre outras.

INTERIOR

Em Capelinha, município do Vale do Jequitinhonha, os estudantes da E. E. Professor Antônio Lago organizaram em conjunto com os professores suas estratégias de ação, levantaram informações e fizeram um diagnóstico da PEC 55 – número que a PEC 241 ganhou na tramitação no Senado. Juntos, alunos e professores realizaram um debate com pessoas a favor e contrárias a PEC e ainda aprofundaram a discussão sobre que o transporte escolar na zona rual, onde os motoristas estão sem receber há quatro meses.

Com tal diversidade e qualidade de assuntos, não é de admirar que os estudantes estejam – como disse a secundarista curitibana Ana Júlia Ribeiro, em depoimento na Assembleia Legislativa do Paraná – aprendendo mais sobre cidadania e política durante um mês de ocupação do que em muitos anos de educação convencional. Ou, nas palavras da vice-presidente estadual da UBES em Minas, Bruna Helena: “Nós não estamos brincando”.

ENEM

Ocupa Minas possibilita também ouvir “o outro lado” nos conflitos que envolvem as ocupações, como a controvertida realização do ENEM. O governo federal decidiu adiar para os dias 3 e 4 de dezembro as provas que seriam feitas nas escolas ocupadas, comprometendo 91.494 alunos. Em Minas, no entanto, em reunião realizada no dia 1/11, com o Ministério Público, a Secretaria Estadual de Educação, a Secretaria Estadual de Defesa Social, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa e as entidades estudantis, o representante do consórcio organizador do ENEM no estado informou que as provas poderiam ser feitas sem problema nas escolas ocupadas. Um acordo nesse sentido foi firmado entre as partes. Mesmo assim o governo federal não cedeu e manteve o adiamento.

Na foto, assembleia dos estudantes na ocupação da Escola Estadual Santos Dumont, em Venda Nova, Belo Horizonte.

3/11/16

 

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Um comentário

  1. HELIANA BARBOSA LIMA LANA

    Tenho 75 anos e me sinto reconfortada e esperançosa quando vejo a coragem e a sabedoria de voces jovens, que encamparam esta luta que é de todos nós brasileiros que sempre sonhamos comum Brasil melhor para todos.

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