A ex-diretora administrativa e financeira dos Diários Associados Minas, Sônia Márcia Souza Silva e Campos, move uma ação contra o grupo cobrando R$ 4,7 milhões de uma dívida que, segundo ela, foi assumida pelo então diretor-presidente, Geraldo Teixeira da Costa Neto, no mesmo mês em que ele foi afastado do comando do grupo. Conhecido como Zeca, o então diretor, de acordo com a ação, assinou, em 9 maio de 2023, um título executivo extrajudicial no valor de R$ 3,7 milhões que, corrigido e com os honorários, estaria hoje na casa de R$ 5 milhões, segundo o processo de cobrança.
Dois dias depois, a direção dos Associados Minas anunciou oficialmente em seus veículos de comunicação a saída de Zeca do comando do grupo. Ele foi destituído do cargo em função de uma operação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), batizada de “Diários da Fraude”, que investiga esvaziamento patrimonial, transações fictícias e fraude contábil. Somente a dívida fiscal foi calculada, na época, em R$ 380 milhões. Somente as ações trabalhistas movidas pelos sindicatos giram em torno de R$ 80 milhões.
A ação é movida pela ex-diretora, que até poucos dias trabalhava na Rádio Itatiaia, em nome de uma de suas empresas, a Custeio Prestação de Serviços, por onde ela prestava serviços para o grupo, onde trabalhou por mais de uma década. Ela deixou a empresa logo após a saída de Zeca, de quem era braço direito.
O processo em trâmite na Justiça revela como o grupo, que não paga salário em dia, não recolhe FGTS e é alvo de centenas de ações por descumprimento de ações trabalhistas agia. No auge da crise trabalhista, com salários e décimo terceiro atrasado, a empresa chegou a dividir lucros com os diretores, enquanto os trabalhadores nem o salário recebiam em dia. De acordo com documentos do processo, em 2022, a empresa teria distribuído R$ 340 mil em prêmios a diretores pelo “bom desempenho da empresa, após alguns anos de escassez”. O processo revela também que o grupo pagava as contas pessoais da diretora e que mantinha um excelente plano de saúde para o comando, enquanto o trabalhador amargava suspensão constante da assistência médica, redução salarial e descumprimento de todos direitos trabalhistas.
A ex-diretora foi citada na operação Diários da Fraude devido a sua outra empresa , a New Cash, que detinha as marcas mais importantes dos Diários Associados. Nessa empresa, Sônia era sócia de outro funcionário do grupo, Alexandre Magno. A empresa vendeu, a revelia da Justiça, a marca Superesportes, nome do portal com milhões de acesso que os Associados tinham. No entanto, a negociação foi suspensa por decisão judicial e a marca segue embargada, causando prejuízo para o grupo.
Para a presidenta do Sindicatos dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Lina Rocha, esta ação, nada mais é, do que a prova cabal do desrespeito do grupo com os trabalhadores. “É um escárnio, um absurdo saber que enquanto o trabalhador nada recebia, tinha diretor ganhando fortunas e recebendo premiações”, afirma. Segundo ela, o SJPMG está acompanhando o desdobramento dessas ações e vai oficiar a PGFN sobre o teor desse processo. A empresa segue descumprindo direitos trabalhistas e deve milhões aos trabalhadores.
