Jornalistas paralisam atividades contra atraso de salário e demissões no Amazonas

Os jornalistas da Empresa de Jornais Calderaro, que publica o jornal A Crítica, Portal A Crítica e Manaus Hoje, no Amazonas, decidiram paralisar totalmente suas atividades a partir desta quinta-feira 10/9. Segundo comunicado divulgado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM), a empresa não paga o salário em dia e ainda demitiu seis profissionais como forma de pressão para acabar com o movimento dos trabalhadores.

Os jornalistas reclamam de atraso recorrente no pagamento dos salários, jornadas exaustivas e corte do plano de saúde em plena pandemia. A categoria acumula dois meses de salário em aberto; alguns jornalistas já ficaram sem receber durante quase quatro meses. A prática abusiva começou em 2017, com o não pagamento de férias.

Leia a seguir o comunicado do SJPAM.

Sindicato dos Jornalistas do AM comunica paralisação total, após empresa demitir trabalhadores

10 de setembro de 2020

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM), por sua presidente, para cumprimento das exigências da Lei nº 7.783/89 (Lei de Greve), comunica à direção da Empresa de Jornais Calderaro, responsável pelos veículos: jornal A Crítica, Portal A Crítica e Manaus Hoje, aos usuários de seus serviços, anunciantes e à população em geral, que os profissionais jornalistas pertencentes a estas empresas na base territorial deste Sindicato, decidiram paralisar totalmente as atividades desempenhadas a partir desta quinta-feira, 10.09.20, em função de mais uma conduta abusiva e desrespeitosa adotada pela direção, que além de não pagar o salário em dia, demitiu seis profissionais, como forma de pressão para acabar com a greve.

Desde segunda-feira, 07.09.20, como ato de boa vontade do movimento, os profissionais vinham mantendo o cumprimento de 30% da mão de obra ativa, enquanto se desenrola negociação com a empresa, com a intermediação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Apesar disso, a empresa demite os profissionais jornalistas em greve, porque quer que eles continuem trabalhando sem receber salários, férias, sem ter o FGTS depositado, assim como o INSS, que é descontado quando, eventualmente, pagam uma parcela dos salários e não repassam à Previdência Social.

A Empresa de Jornais Calderaro desrespeita as leis brasileiras, e os tratados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que consideram o atraso, por vários meses, do pagamento de salário, condição semelhante à escravidão, onde o trabalho não era remunerado.

Para a maior parte dos jornalistas de A Crítica, Manaus Hoje e Portal A Crítica, o salário é a única fonte de renda. Assim, o fato de o empregador deixar de pagá-lo impede que o empregado leve para casa o seu sustento diário e de sua família.

Lembramos que o direito de greve é assegurado aos trabalhadores pelo artigo 9º da Constituição Federal, sendo regulamentado pela Lei nº 7.783/89, tendo por objetivo defender interesses da categoria profissional.

Manaus-AM, 10 de setembro de 2020.

Auxiliadora Tupinambá, presidente do SJPAM

Clique AQUI para ler a carta aberta dos jornalistas do Amazonas à população.

 

[10/9/20]

 

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