Jornalistas denunciam cerceamento do exercício profissional por segurança da Prefeitura de Santa Luzia

Os jornalistas Dany Starling, do Observatório Luziense, e Ramon Damásio, do Virou Notícia, relataram ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais terem sido coagidos e impedidos de trabalhar por um servidor da Prefeitura de Santa Luzia que se intitulou “chefe da segurança”, na manhã de quinta-feira 13/8, quando cobriam o cumprimento de mandados de busca e apreensão na sede do Executivo municipal, parte da Operação Disruptura, do Ministério Público de Minas Gerais.

O SJPMG procurou a Diretoria de Comunicação da Prefeitura de Santa Luzia na tarde da segunda-feira 17/8 e pediu sua versão dos fatos.

O relato dos jornalistas:

“Os jornalistas estavam na porta da Prefeitura desde as 7h acompanhando o desenrolar da Operação Disruptura, do Ministério Público, que cumpria mandados de busca e apreensão na sede do Executivo naquela manhã. Pouco após as 8h, após tentativas de informação por telefone resultarem infrutíferas, os jornalistas entraram na Prefeitura com o objetivo de se dirigirem à sala da Diretoria de Comunicação. Entretanto, a entrada foi impedida por servidores do Executivo, que barraram o carro do jornalista Ramon Damásio na guarita de acesso aos prédios, dizendo que “a imprensa não poderia entrar no local”.

“Uma vez fora do carro, os jornalistas tentaram seguir até o prédio onde fica a Diretoria de Comunicação, mas foram novamente impedidos, de maneira truculenta, por um servidor que se intitulou “chefe da segurança”. De maneira agressiva, disse que o lugar da imprensa era da porta para fora e que “agora não é a bagunça que era antes aqui, agora tem ordem”. Sem ouvir nenhum tipo de argumento, convocou a presença de uma viatura da Guarda Municipal.

“Foi solicitado ao dito servidor que ele acompanhasse os jornalistas até a Diretoria, o que também foi negado. E que alguém da Comunicação iria descer para atendê-los. Exaltado e sem um mínimo de preparo para lidar com o público em geral, que dirá com a imprensa, o servidor disse que se os jornalistas prosseguissem na tentativa de entrar no prédio, daria “voz de prisão” a eles.

“Diante de guardas municipais constrangidos com o ocorrido, com outros servidores da Prefeitura filmando a cena e fazendo ameaças veladas, os profissionais preferiram deixar o prédio, já que nenhum dos servidores da Comunicação entraram em contato, seja pessoalmente, seja por telefone.”

A versão da Prefeitura:

“Segundo informou o supervisor de segurança, senhor Rogério Assis, no dia 13/08, ele estava monitorando todo o desenrolar para o desempenho das atividades do MPMG no interior da Prefeitura.

“De acordo com o senhor Assis, a ação se deu a partir das 6h e que toda a investigação, por ter caráter ¨SIGILOSO¨, não justificaria a presença de pessoas estranhas, nem mesmo da imprensa, no interior da Prefeitura. Segundo ele, o senhor Dany Starling e outro profissional, quiseram invadir a sede da prefeitura, momento em que foram abordados e lhes foi orientado que aguardassem a presença da Assessoria de Imprensa da PMSL, que daria mais informações sobre a situação, entretanto quiseram a partir dai forçar a entrada na presença de várias testemunhas, chegando ao ponto de um deles tentar invadir a prefeitura com seu veiculo particular, parando-o no portão principal, descendo do mesmo e bloqueando entrada e saída de veículos oficiais, momento em que lhes foi dado uma ordem legal para se retirarem, pois nem mesmo o expediente teria começado, haja vista que na ocasião ainda não era 8h.

“Vale ressaltar que a Administração respeita o direito à livre informação. Caso sejam constatados abusos cometidos por servidores municipais, serão tomadas as providências cabíveis.

Alexandre Amorim
Assessoria de Comunicação”

[17/8/20]

 

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