Quando o jornalismo é negro: Coletivo Lena Santos ganha força em Minas Gerais

Quais são as condições de trabalho de profissionais negras e negros dentro do jornalismo? Qual a sua realidade, onde estão e o que pensam? Foram algumas das perguntas iniciais que levaram à criação de um grupo, no ano de 2019, para aglutinar, valorizar promover o debate entre as pessoas negras de Minas Gerais que estão por trás dos microfones, das câmeras, das assessorias de imprensa e dos blocos de anotações. Em pouco tempo, mais de cinquenta jornalistas estavam participando das conversas virtuais.

O grupo se reuniu presencialmente duas vezes, no Sindicato dos Jornalistas em Belo Horizonte, e decidiu formalizar a sua organização em um coletivo. Para definir como seria chamado, foi realizada uma eleição interna com nomes de jornalistas negras que tiveram trajetórias importantes no país e foram invisibilizadas pelo racismo. Ao final da votação, ganhou a mineira ex-âncora do Jornal Hoje e do MGTV Lena Santos, que morreu há mais de 25 anos e ainda é pouco reconhecida na história do jornalismo do estado e do país.

Lena é irmã da ativista, atriz e pesquisadora da culinária afro-mineira Zora Santos. Em uma rede social, Zora escreveu sobre a importância do legado de Lena: “Brilhou na TV num tempo que computador era à lenha e rede social não existia. Estou empenhada em reunir um acervo com a trajetória brilhante desta mulher que as novas gerações nunca ouviram falar”.

O coletivo planeja ampliar o mapeamento de profissionais negras e negros em Minas Gerais, tentar dimensionar qual sua quantidade, por onde atuam e quais seus desafios. Com as recentes mortes de George Floyd nos Estados Unidos e João Pedro no Brasil, o Coletivo Lena Santos lançou um manifesto se apresentando à sociedade e cobrando, principalmente, maior representatividade no jornalismo e correção nas coberturas dos temas raciais.

“Percebemos a urgência de que as redações de jornais, de rádio, TV, impresso, multiplataforma, façam uma discussão sobre o quanto suas equipes espelham a diversidade do povo brasileiro. Em muitos comentários feitos ao longo da cobertura, percebemos argumentos e usos de palavra que denunciam que ainda é preciso avançar muito nesse debate no Brasil. Não haverá avanço se não houver a presença de negros e negras nas redações”, indica o manifesto.

Leia na íntegra clicando AQUI.

Mais informações sobre o coletivo Lena Santos pelo e-mail coletivolenasantos@gmail.com.

[5/6/20]

 

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