Recomendações para o trabalho dos jornalistas durante a pandemia de coronavírus

Em entrevista ao SJPMG, o médico infectologista Carlos Starling orientou sobre condutas e procedimentos que devem ser adotadas pelos jornalistas no seu trabalho durante a pandemia do novo coronavírus.

Carlos Starling é diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, coordenador dos programas de controle de infecção hospitalar de diversos hospitais em Belo Horizonte.

A seguir as suas recomendações.

Ao entrar em um hospital, o jornalista deve ser acompanhado pelo pessoal do setor de controle a infecções do hospital e seguir rigorosamente suas orientações. Isso é extremamente importante, porque esses profissionais são treinados e praticam os procedimentos aos quais jornalistas não estão acostumados.

Se for entrevistar pessoas que estão em quarentena, usar máscara – não precisa ser a máscara recomendada, que está em falta, pode ser uma máscara do tipo cirúrgica – e manter distância mínima de 1,8 m (um metro e oitenta centímetros) do entrevistado.

Não compartilhar microfone com entrevistado; usar microfone específico para o entrevistado, tipo microfone de lapela.

Entrevistado infectado deve usar máscara.

Caso toque alguma superfície no local da reportagem, lavar as mãos. Se não for possível lavar as mãos, usar álcool em gel – e não é pouco, é bastante, para espalhar pelas mãos.

Os mesmos cuidados devem ser tomados por cinegrafista, fotógrafo, iluminador, motorista e outros integrantes da equipe.

Fazer entrevista por telefone, mesmo no local.

Fazer entrevistas da redação e enviar ao local apenas cinegrafista ou fotógrafo, porque assim já se reduz um profissional com risco de contágio.

Não fazer entrevistas coletivas presenciais.

Nas redações, reduzir o número de pessoas e manter distância de pelos menos 3 metros entre elas. Fazer limpeza constantemente. Manter o ambiente arejado, com janelas abertas. Ao menor sinal de sintomas do coronavírus, afastar imediatamente o profissional do trabalho. Trabalhar em casa, fazendo entrevistas por telefone e pela internet.

Carro de reportagem deve manter janelas abertas. Profissionais devem evitar contato físico uns com os outros. Não compartilhar objetos. Lavar as mãos ou, na falta de água e sabão, usar álcool gel depois de tocar áreas de uso comum. Manter distância social, sem cumprimentos, beijinhos, toques.

Outras recomendações

É bobagem usar máscaras em situações comuns, como andando na rua.

O afastamento físico é fundamental, porque não sabemos quem está infectado ou não. A epidemia já entrou na comunidade há algum tempo. Se deixarmos a transmissão correr solta, ela explode e o sistema de saúde não dará conta de atender os pacientes.

O objetivo é evitar a propagação rápida do vírus e isso só é possível com o isolamento social. Se propagação for lenta, o número de casos vai aumentar lentamente, o sistema de saúde conseguirá atender os casos graves e o número de mortes será menor.

Reclusão social

Em que o novo coronavírus tem de diferente de outros vírus? É a primeira vez que ele aparece, por isso é desconhecido, e sua letalidade é muito maior. Enquanto o vírus da gripe comum mata 0,4% em 100 infectados, o novo coronavírus mata 2 a 3. E no caso dos idosos acima de 80 anos, 15 a 20. Na Itália, a letalidade está em 7,6%.

“Jornalistas também terão perdas”, alerta o infectologista Carlos Starling. “Temos de tomar todos os cuidados possíveis, praticando o isolamento social.”

Ele apela aos jornalistas para participarem de uma campanha para conscientizar a população da gravidade da situação e permanecerem em casa.

“Se não fizermos isso, o problema fica com uma gravidade absurda. É o que a China e cidades italianas estão nos ensinando.”

Ele acrescenta que os profissionais de saúde brasileiros já dispõem de excelente literatura sobre o novo ecovírus, porque passaram dois meses acompanhando o que aconteceu na China e outros países.

“O momento e de unir forças para conter o coronavírus com o mínimo de problemas possível. A reclusão social é vital. Uma epidemia tem ganhos, como a reflexão sobre quem é o inimigo real. O inimigo mudou e não podemos ser negligentes”, enfatiza o infectologista.

“Pela vida, fiquem todos em casa. É hora de ficar com a família, com os filhos. E, se tiver de sair, tomar todos os cuidados.”

[20/3/20]

 

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