‘Queria entender por que um soldado dá 6 tiros na cabeça de um jovem ferido que não ameaça sua vida’

A jornalista mexicana Daniela Rea (foto) ouviu vários relatos de vítimas do Exército desde que os militares começaram a patrulhar as ruas do México, em 2006.

Por Diana Massis HayFestivalQueretaro@BBCMundo

“Meu filho foi enterrado vivo”, contou, por exemplo, o pai de Jethro Ramsés Sánchez, preso em 2011 em Morelos.

“Jogaram ácido muriático (também conhecido como ácido clorídrico) nele para tentar encobrir o crime. Foi uma morte terrível.”

Para quem vê de fora, a impressão é de que relatos de ações cruéis como essa no México costumam estar ligados a notícias sobre a violência do narcotráfico. Mas desde que o Exército foi acionado no combate ao tráfico de drogas, a partir de 2006, o país têm visto centenas de casos de atrocidades sendo cometidas, também, por soldados e oficiais.

Daniela Rea, que lançou, em parceria com o jornalista espanhol Pablo Ferri, o livro La tropa: por qué mata un soldado (“A tropa: por que um soldado mata”, em tradução livre), diz que México vive “uma guerra de muitos protagonistas: o Estado como espaço político, o Estado como força de segurança, às vezes antagônicos, grupos criminosos, também antagônicos, paramilitares e grupos empresariais”.

É uma guerra, segundo a autora, em que há disputas territoriais, “e essa disputa acontece desaparecendo com pessoas, cobrando taxas, extorquindo dinheiro”.

Entre 2006 e 2018, 540 mil soldados foram colocados nas ruas e, segundo o livro de Rea, participaram de mais de 4 mil confrontos com civis, muitos deles marcados por graves violações e abusos, como sequestros, tortura, estupros e assassinatos.

Rea e Ferri ouviram vítimas e soldados, muitos deles presos, para tentar descobrir as razões e motivações de tanta violência por parte de representantes, nessa instância, de um braço de segurança do Estado.

Por que um soldado mata? Os autores ficaram surpresos por chegar a uma resposta – entre outras – sugerindo “ser mais fácil matar do que deixar feridos”, por que se estaria evitando ter de lidar com “a burocracia de chamar a ambulância e depor” e com eventuais desejos de vingança e retribuição.

Clique AQUI para ler a íntegra na BBC Brasil.

(Crédito da foto: Stephane de Sakutin / AFP.)

 

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[31/10/19]

 

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