Greve dos jornalistas de Alagoas obtém vitória no TRT. Ao invés de redução, salários terão aumento

A greve dos jornalistas de Alagoas terminou vitoriosa com a decisão do TRT da 19ª Região, que julgou o dissídio coletivo da categoria, em sessão nesta quarta-feira 3/7. Por unanimidade, os desembargadores consideraram ilegal a redução salarial de 40% que os patrões queriam impor aos jornalistas.

O TRT também concedeu reajuste de 3% nos salários, para reposição da inflação, e determinou o pagamento dos nove dias parados, além de garantia de estabilidade por três meses. As tentativas patronais de tornar o dissídio e a greve ilegais foram rechaçadas.

O piso dos jornalistas de Alagoas passa de R$ 3.565,27 para R$ 3.672,22, com reajuste retroativo a 1º de maio, data-base da categoria. Em assembleia realizada após a sessão do TRT, os jornalistas comemoraram a vitória e decidiram voltar ao trabalho a partir de amanhã.

“Foi uma vitória dos jornalistas alagoanos e mais do que isso, de todos os trabalhadores”, disse o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sinjornal), Izaías Barbosa. “Nós recebemos apoio de inúmeros sindicatos das mais diversas categorias, que perceberam que a redução salarial dos jornalistas teria um efeito dominó sobre todos os trabalhadores”, explicou.

A greve teve também apoio dos estudantes e professores de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas, que paralisaram suas atividades acadêmicas e participaram do comando de greve. “Eles funcionaram como assessoria de comunicação da greve, produzindo vídeos e atuando nas redes sociais”, disse Izaías. “Estamos preparando os lutadores de amanhã”, avaliou.

Segundo Izaías, o procurador geral do Trabalho considerou a luta dos jornalistas alagoanos uma disputa que foi muito além dos grandes clássicos de futebol, pois uniu toda a sociedade de um lado, deixando do outro apenas os empresários da comunicação. “Todos os deputados estaduais, de todos os partidos, se manifestaram a favor dos jornalistas. Todos os vereadores de Maceió também”, contou o sindicalista. “Foi uma vitória expressiva, que contou com apoio de toda a sociedade.”

A paralisação atingiu os três grandes grupos de comunicação de Alagoas (TV Gazeta, TV Pajuçara e TV Ponta Verde e seus portais, além do semanário Gazeta de Alagoas), com adesão maciça dos trabalhadores. Sem conseguir manter sua programação, os veículos recorreram à contratação apressada de recém-formados e estudantes. Até estagiários de emissoras dos grupos nos estados vizinhos foram “importados” para trabalhar em Alagoas.

A queda de qualidade da programação ficou evidente para a população, provocando reações e apoio aos grevistas. “Eles não conseguiram maquiar a greve”, disse Izaías, acrescentado que a população se informou sobre o movimento pelas redes sociais.

Durante nove dias, as redações ficaram vazias e as assembleias de trabalhadores, lotadas. Nas portas das empresas, os jornalistas montaram piquetes e diariamente fizeram passeatas pelas ruas da cidade, recebendo manifestações de apoio da população e solidariedade de comerciantes, que enviaram água e alimentos. Uma campanha de doação para o banco de sangue público do estado mobilizou trabalhadores de diversas áreas com o sugestivo nome de “Meu sangue pelo jornalismo”.

“Foi uma vitória histórica”, comemorou o presidente do Sindjornal, ressaltando uma coincidência de datas. “Em 1979, os jornalistas alagoanos conquistaram o direito ao piso salarial, com uma greve que durou nove dias. Exatamente quarenta anos depois, com outra greve de nove dias, estamos assegurando a manutenção desse direito”, disse.

#HojeANoticiaÉaVitóriaDosJornalistas.

#OJornalismoDeQualidadeVenceu.

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[3/7/19]

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