Greve dos jornalistas de Alagoas é total e completa 3 dias

Em greve há três dias, os jornalistas de Alagoas fazem assembleia na noite desta quinta-feira 27/6 para decidir sobre a continuidade do movimento. Em reunião realizada à tarde no Ministério Público do Trabalho, os patrões insistiram na proposta de reduzir em 40% o piso salarial da categoria. A greve tem adesão de praticamente 100% da categoria.

“A reunião não avançou em nada”, disse o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal), Izaías Barbosa de Oliveira. “As empresas estão irredutíveis na proposta de reduzir os salários em 40%.”

Ela explicou que o piso salarial em Alagoas na verdade “é o teto”, porque raros jornalistas ganham mais do que o piso, o que significa que a redução alcança toda a categoria.

A mobilização dos jornalistas foi igualmente maciça. “A reação dos jornalistas foi muito forte. A categoria sabe que se levar essa cassetata, não levanta mais”, disse Izaías.

A paralisação atinge as tevês Gazeta (afilaida da Globo e de propriedada da família do senador Fernando Collor), Pajuçara (Record) e Ponta Verde (SBT) e os portais dos três grupos. Também na sucursal da TV Gazeta em Arapiraca a greve tem adesão de 100%, segundo Izaías. Sem jornalistas, as emissoras foram obrigadas a oferecer ao público a reprise das suas programações.

A greve atinge ainda o semanário do grupo da TV Gazeta. O único diário de Maceió, Tribuna Independente, pertence a uma cooperativa de jornalistas.

O movimento ganhou adesão geral da sociedade, inclusive autoridades, segundo o presidente do Sindjornal. “O governador do estado, o presidente do Tribunal de Justiça, deputados e vereadores manifestaram apoio”, disse.

Os jornalistas estão concentrados em frente aos prédios das empresas e todos os dias fazem uma caminhada pelas ruas da cidade, carregando faixas e gritando palavras de ordem. Eles recebem aplausos da população e motoristas que passam pelo local buzinam. No primeiro dia de greve, que começou às 3h da madrugada, os trabalhadores doaram sangue para o banco de sangue da cidade, na campanha “Meu sangue pelo jornalismo”.

As empresas, todas elas ligadas a grandes grupos empresariais, alegam que estão no vermelho. “Como estão no vermelho, se trinta segundos de comercial custam R$ 5 mil?”, pergunta o presidente do Sindjornal.

Ele informou que a data-base dos jornalistas de Alagoas é 1º de maio. Este ano a pauta de reivindicações foi entregue em fevereiro. Os patrões protelaram as negociações e em abril apresentaram a proposta de redução do piso salarial em 40%, que foi prontamente recusada pela categoria. Em assembleia, os jornalistas aprovaram a greve e o Sindjornal entrou com pedido de dissídio coletivo, que deve entrar em pauta para julgamento na próxima quarta-feira 3/7.

O piso salarial foi a maior conquista dos jornalistas de Alagoas, obtido após uma greve geral em 1979. Desde então houve apenas uma greve localizada, na TV Gazeta, em 1989.

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[27/6/19]

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