Amigos prestam homenagem a Moema Tedesco, que faleceu neste sábado

No Facebook, o sábado foi dia de render homenagens – e os depoimentos emocionados dos colegas não deixavam dúvidas do quanto Moema Tedesco era querida. Além do respeito que angariou ao longo de sua trajetória, a jornalista, que faleceu neste sábado (27), era conhecida pelo riso franco, que reverberava seu bom humor, e pelo espírito solidário: não se cansava em ajudar os outros.

Moema Tedesco foi uma das primeiras profissionais a se dedicar à cobertura de moda, jogando holofotes sobre a moda mineira, a qual empenhou-se em divulgar – era uma entusiasta do Grupo Mineiro de Modas. Uma de suas passagens profissionais mais marcantes foi pelo extinto Jornal de Casa, semanário gratuito que fez história na capital mineira, sob o comando do jornalista Eustáquio Trindade Neto, grande amigo de Moema, e um dos mais emocionados com a partida da colega.

No periódico, que pertencia ao Diário do Comércio, Moema fez editoriais antológicos, ao mesmo tempo em que revelava talentos, de modelos a criadores, passando, claro, pelos fotógrafos. Generosa, não hesitava em repassar seus conhecimentos para os novos, com paciência e esmero. Chegava entusiasmada à redação da Américo Vespúcio, a bordo de novidades, como a entrevista exclusiva que havia conseguido com Luma de Oliveira, então no auge de seu sucesso. Na sequência, migrou para o jornal Hoje em Dia, onde já trabalhava um de seus grandes amigos de vida, o saudoso Marcelo Rios. À frente da editoria de Moda, Moema, mais uma vez, se destacava, ao mesmo tempo em que conquistava os colegas da nova redação, que a chamavam carinhosamente de “Momô”.

Divertida, agregava sempre: não era incomum vê-la cercada pelos colegas, sentados em suas cadeiras, a ouvi-la contar causos. Suas observações argutas sobre os primeiros “Big Brother Brasil” ainda hoje são lembradas pelos colegas com candura.

Moema Tedesco era uma profissional requisitada, e, por isso, constantemente chamada para outras frentes, como o jornal do Shopping Mondrian, no Barro Preto, ou a revista da Fundação CDL de Amparo ao Menor. Também deu aulas na Faculdade de Moda da Belas Artes da UFMG.

No dia de sua despedida do Hoje em Dia, uma cena marcou os colegas: ao arrumar suas coisas, com a dignidade que lhe era peculiar, viu cair, de um de seus livros, a foto de sua mãe. Foi naquele momento que as lágrimas vieram aos olhos: ela viu, naquele acontecimento, um sinal de proteção. Apaixonada pelo marido, Reinaldo, Moema era também muito ligada à família: despendeu horas de voo para encontrar a irmã nas Filipinas, por exemplo. E, detalhe: voltou com as malas abarrotadas de presentes para os colegas, incluindo roupas de bebê para as que estavam grávidas. Presentes, aliás, eram uma constante. Das viagens ao Norte, trazia bombons de cupuaçu para toda a redação. Lá, ajudava a dar suporte a uma investida pioneira de moda sustentável, um couro ecológico.

Antes de se mudar para Três Marias, Moema era uma figura querida na região onde morava, no bairro Santo Antônio, em frente ao extinto Bar do Lulu. Não era raro vê-la acompanhar todo o movimento da rua na sua janela, no andar térreo, ao lado de seus cães (sim, ela também amava animais).  Não é possível falar de Moema sem lembrar, ainda, sua passagem pelo teatro, onde fez amigos diversos, como Ronaldo Brandão, José Mayer e muitos outros.

Alguns expoentes de seu extenso rol de amizades, e igualmente queridos pelos colegas,  já estão lá em cima, no outro andar. São coisas da vida. Mas, por este motivo, muitos internautas ontem, no Facebook, aproveitaram para aventar uma possível festa com a chegada de Moema por lá. Certamente, a jornalista foi calorosamente recebida por Ronaldo Brandão, Alécio Cunha, Edson Rios, Marcelo Rios… Para a gente, aqui, ficou o choro. E a saudade. Ciao, Moema.

Alguns comentários do Facebook:

“Em um meio em que a vaidade é que dá o tom, era procurada quando dela precisavam. O pouco que ganhou, dividiu. Era o que fazia de mais e de melhor. Generosa. Cozinheira das melhores. Dona do maior coração do mundo. Sinto hoje um aperto terrível em meu coração” (Eustáquio Trindade Neto)

“Com a passagem da querida Moema Tedesco, vai-se também, além de uma pessoa amada, carinhosa e ética, uma grande parte do jornalismo de moda de qualidade, que um dia Minas teve. Vá leve e certa da missão cumprida, querida amiga” (Ronaldo Fraga)

“Exatos 40 anos atrás, com Moema fiz a parceria que mudou a moda mineira. Convidado pelo português Arthur Simões Gonçalves fiz minhas primeiras produções de fotos de moda para o JORNAL DE CASA. Moema produzia, redigia, me dirigia e orientava as modelos como fazer a melhor pose! Foram muitas gerações de modelos, manequins, cabeleireiros, maquiadores, produtores, fotógrafos e porque não dizer estilistas e confeccionistas que Moema iluminou!” (Luiz Fernando da Silva Santos)

“Segue em paz minha querida amiga, amada e irma Moema Tedesco… Foi pra la encontrar com Ronaldo que ela tanto amava… Vai ser dificil viu Moema, ficar sem voce, mais esta perda…” (Luiz Otávio Brandão)

“Com seu bom humor, gargalhadas constantes, impulsionou inúmeros estilistas em início de carreira. Ela enxergava de longe um talento. Tchau Moema! Obrigada por tudo, pelo seu incentivo, apoio e conselhos sinceros. Beijo eterno” (Adria Castro)

“Saudades das nossas risadas na redação e de você na janela de casa, só observando o movimento do Bar do Lulu nas intermináveis madrugadas! Uma pessoa generosa e grande profissional que se vai. Você deixa muitas boas histórias…” (Sandra Nascimento)

“A dona da gargalhada mais contagiante” (Luciana Neves Moreira)

“Silenciosamente, de mansinho, sem alarde, está indo embora uma geração que fez a arte e a alegria daquela BelorizONTEM. Moema Tedesco era uma pessoa especial. Tristeza…” (Pedro Paulo Cava)

“Ela sempre foi a síntese da tolerância, da diversidade, da criatividade, do carinho. Há muito tempo que uma perda não me abala tanto” (Ricardo Melo)

“Viva Moma” (Zeca Perdigão)

[28/5/17]

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2 comentários

  1. Boa noite
    Fui o primeiro a fazer contatos
    No jornal de casa com a moema
    O sr arthur . eu fazia os contatos
    Nas butiques da Savassi

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