Dilma em BH: ‘Não vou ficar isolada no Alvorada’

A presidenta afastada Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira 20/5 em Belo Horizonte que não vai ficar presa no Palácio da Alvorada e que lutará em todos os níveis para recuperar a presidência da República. “Não vou ficar isolada, não há nenhuma justificativa para isso”, discursou Dilma para cerca de 600 pessoas na abertura do 5º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais. “Vou lutar no Senado, no Judiciário e em todas as instâncias. Não vou ficar presa no Alvorada”, disse.

Ela enfatizou que o governo Temer é “provisório” – “Esta palavra ‘provisório’, o caráter provisório desse governo, é importantíssimo” – e disse temer que ele “use da repressão para implantar seu programa de desmonte dos direitos sociais. “Já me chamaram de faxineira, agora vão ter de me chamar de zeladora, porque vou acompanhar tudo com lupa, para zelar pela democracia. O que está em jogo não é só o meu mandato, o que está em jogo são as conquistas sociais e a democracia”, disse Dilma aos blogueiros e ativistas.

Realizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas, o encontro reúne 430 blogueiros e ativistas digitais de 23 estados brasileiros e continua neste sábado, com transmissão ao vivo pela TVT. Haverá debates sobre a blogosfera frente à conjuntura do golpe, os crimes de Mariana e o papel da mídia e ainda trocas de experiências. No domingo será aprovada a “Carta de Belo Horizonte”.

Também fizeram parte da mesa da abertura do encontro o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Patrus Ananias, a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mieli, a representante do Barão de Itararé, Lidyane Ponciano, e o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes.

Eleição indireta

A presidenta afastada participou do encontro depois de falar a milhares de pessoas que se manifestaram nas ruas de Belo Horizonte contra seu afastamento da presidência. Aos blogueiros, ela repetiu que não cometeu crime de responsabilidade e voltou a chamar o impeachment de golpe.

“A maior característica desse golpe é não querer ser chamado de golpe. Esse impeachment é uma eleição indireta. Eles sabem que não chegariam à presidência da República sem esse processo”, explicou. “Estão implantando um programa que não tem aprovação das urnas.”

Ela citou como exemplos a extinção do Ministério da Cultura, a mudança na política externa e os ataques anunciados ao SUS, à Previdência, ao Bolsa Família e ao pré-sal. “São medidas de assustar, que mostram retrocesso”, disse. “Em oito dias, esse governo já bateu recorde de desmentidos, o que deixa a suspeita, fundada, de que eles acreditam mesmo é no que desmentiram.”

Dilma criticou também o afastamento do presidente da Empresa Brasil de Comunicação, que assumiu o cargo recentemente e tem mandato legal de quatro anos. “Isto é muito grave, mostra o desapreço desse governo ilegítimo pela democracia”, disse.

Ela reconheceu como falha do seu governo não ter feito a democratização da mídia, mas justificou-a com o fato de o sistema político brasileiro garantir que as posições conservadoras prevaleçam. “Por isso é imprescindível fazer a reforma política”, disse a presidenta afastada. “Eles nunca vão fazer a democratização da comunicação.”

Ela disse que o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é a personagem oculta do governo Temer e criticou o ministério formado por ele. “Esse ministério de homens velhos, ricos e brancos, sem mulheres e sem negros, é a cara mais triste desse governo”, disse.

Leia aqui a programação completa do encontro.

(Crédito da foto: Sô Fotocoletivo / Jornalistas Livres.)

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