Casa do Jornalista recebe jovens do projeto ‘Jornalismo Cidadão nas Escolas’

A Casa dos Jornalistas rejuvenesceu na quinta-feira 17/12 ao receber uma moçada bem empolgada. Cerca de cinquenta jovens do ensino fundamental e médio comemoraram na Casa o encerramento do projeto “Jornalismo Cidadão nas Escolas”, desenvolvido pela ONG Internet Sem Fronteiras – Brasil durante o ano de 2015 em três escolas públicas de Belo Horizonte.

O projeto de letramento midiático tem o intuito de formar o jovem para desenvolver seu espírito crítico em relação à informação que o circunda. “Hoje os jovens estão constantemente em contato com a informação mas também são alvos dela porque não foram formados a se perguntar sobre as escolhas editoriais que estão por traz dos conteúdos que acessam”, observou a coordenadora do projeto, Florence Poznanski, também integrante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, em Minas.

Ela explicou que o projeto busca, por um lado, passar conhecimentos sobre o funcionamento do sistema midiático brasileiro e, por outro lado, incentivar os jovens a se tornarem eles mesmos comunicadores. A introdução ao jornalismo se faz através de três linguagens: vídeo, rádio e texto. A cada produção os alunos têm autonomia para escolher o tema e a linha editorial e fazer as devidas pesquisas.

Gabriela Santos, aluna da Escola Estadual Olegário Maciel, localizada no Centro de Belo Horizonte, trabalhou sobre o tema do feminismo com a linguagem do vídeo. “A experiência do vídeo deu a possibilidade de entender melhor o que significa feminismo. Através da pesquisa entendi que feminismo não tem nada a ver com algo radical, mas que é defender o direito da mulher”, disse a aluna. Ela conta que se interessou muito pelo projeto porque pretende estudar jornalismo na faculdade.

Ludimila Sodré, aluna da Escola Estadual Coração Eucarístico, no Bairro Vera Cruz, explicou que o projeto a ajudou a se comunicar. “Antes eu era muito tímida, introvertida”, contou. “Vi que muitos alunos conseguiram quebrar essa barreira. O projeto também abriu meus olhos para o que é o jornalismo de verdade”, acrescentou.

Também o corpo docente acolheu bem o projeto. Auro Da Silva, professor na Escola Municipal Belo Horizonte, no Bairro São Cristóvão, frisou a importância dada ao protagonismo e à autonomia do jovem no projeto. “Eu percebi no decorrer do ano uma busca constante em envolver os meninos, em incentivá-los a opinar, se posicionar, argumentar. Os alunos são totalmente envolvidos no processo de construção”, analisou.

Segundo Florence, a iniciativa busca compensar uma falha no atual sistema de ensino, que limita a introdução de matérias ligadas à mídia e cidadania ao uso de tecnologias. A preparação dos jovens para formar sua opinião a partir da informação que recebe faz parte dos temas reivindicados pelas organizações militantes da democratização da mídia há muitos anos.

Os conteúdos produzidos pelos jovens no decorrer do ano se encontram no veículo Comunicadores da Hora que tem pagina própria no Facebook. O projeto também conta com a parceria do Centro Universitário UNI-BH, do Fórum da Juventude da Grande BH e da ONG Oficina de imagens.

 

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Um comentário

  1. Faltou dar importância aos alunos do UNIBH – oficineiros e voluntários – que, trabalharam muito e próximos aos garotos na produção dos conteúdos de 2015, divulgados na cerimônia. Sem os alunos do UNIBH, talvez não existissem nem metade dos produtos apresentados e, os jovens, pré-adolescente e adolescentes, envolvidos no projeto, não teriam informação passada com propriedade por postulantes do curso de Jornalismo. Então, resta a pergunta: quem desenvolvia a alfabetização crítica dos alunos, dia após dia?

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