Casa do Jornalista celebra com samba nesta sexta 20/11 o Dia da Consciência Negra

Espaço tradicional de debates, de reflexão e de lutas em torno de relevantes questões sociais, o Sindicato dos Jornalistas de Profissionais de Minas Gerais recebe no espaço Casa do Jornalista, nesta sexta-feira, dia 20 de novembro, um show em celebração ao Dia da Consciência Negra.

Um dia para celebrar a ancestralidade e as raízes negras do povo brasileiro, uma data especialmente escolhida para homenagear o grande líder Zumbi, falecido em 20 de novembro de 1695, que lutou pela liberdade naquele que foi historicamente o maior símbolo de resistência e força contra a escravidão no Brasil – o Quilombo de Palmares.

Instituído em 2003, o Dia da Consciência Negra é uma conquista afirmativa, carregada de simbolismo por representar o orgulho e a luta do negro contra o preconceito. Se no passado celebrava-se a data da tardia Abolição da Escravatura, reverenciando uma princesa branca oriunda de uma família real que por séculos se beneficiou da exploração do trabalho escravo, hoje a realidade é um pouco diferente.

Políticas públicas afirmativas são gradualmente implementadas para promover igualdade de oportunidades, e para combater o preconceito e o racismo. Embora ainda estejam longe de obter pleno sucesso e aceitação, essas ações são conquistas contra um histórico de injustiças e devem ser comemoradas e ampliadas.

Mas, sobretudo, no Dia da Consciência negra é preciso reforçar aspectos positivos da matriz africana na formação da identidade brasileira, e sob este ponto de vista nenhuma outra manifestação artística e cultural foi mais relevante e tem maior penetração do que o samba.

Samba sem rotulação

Formado por músicos negros, muitos deles aprendizes das rodas da periferia da cidade, o grupo Camafeu (foto) desde sua fundação, teve como meta a inserção e a quebra de paradigmas. Constantemente rotulados seja pela cor ou pela origem social, os fundadores do Camafeu sempre tiveram o desejo de apresentar o samba e suas variantes sem a pré-definição preconceituosa e excludente promovida por algumas casas de show e por parte do público da cidade. “Em Belo Horizonte, infelizmente, criou-se na cabeça de parte das pessoas a separação entre os espaços culturais do samba de preto e do samba dos brancos”, como conta o vocalista do Camafeu, Bruno Cupertino.

Ele que está a quase quinze anos se apresentando na noite e nas rodas da cidade explica que “O negro tinha aceitação para tocar pagode e outros sambas mais populares, a ele não cabiam o Chico Buarque, o Vinícius, o Noel ou mesmo compositores negros que adentraram ao hall dos clássicos do gênero como o Pixinguinha, o Cartola, ou até mesmo o Paulinho da Viola”.

Diante desse rótulo, que informalmente classificava os tipos e compositores de samba mais adequados a cada público, conforme local e cor da pele, os músicos que formaram o grupo Camafeu resolveram subverter a ordem e fundaram um grupo dedicado ao resgate dos sambas clássicos, dos compositores do passado, trazendo novos arranjos e contando um pouco da rica história cultural que envolve o gênero. Decidiram ser um grupo de samba formado por negros que quebraria as barreiras entre as casas de show da zona sul e zona norte, espaços de ricos e pobres, centros da intelectualidade ou de entretenimento. O Camafeu passou a empunhar a bandeira do samba de raiz, sem divisões e preconceitos, como sempre deveria ter sido.

“A gente sente na pele a imposição estética em alguns palcos da cidade, a pauta musical que pretendem nos empurrar”, relata Bruno Cupertino. “Mas Graças a Deus, em geral, o público tem sido receptivo a nossa proposta e as portas vão se abrindo. Não deixamos de lado composições da bossa nova, nem o chorinho, não tocamos o “samba da moda”, fazemos com gosto o que nos atrai musicalmente. Até porque o rótulo musical é fruto de uma postura de negação do preconceito, introjetando na mente das pessoas por anos de discurso excludente”.

O Camafeu interpretará além canções autorais, grandes clássicos de Ataulfo Alvez, Paulo César Pinheiro, Chico Buarque, Cartola, Zé Keti, Adoniran Barbosa, Nelson Cavaquinho, dentre outros grandes mestres.

Dia de Festa

Como já é de costume, o grupo Camafeu estabeleceu para este Samba da Consciência mais uma parceria. Mantendo a tradição de sempre convidar talentosos intérpretes de Minas e de diversas partes do país, desta vez o grupo dividirá o palco da Casa do Jornalista com a belíssima voz de Júlia Rocha – sambista mineira que participou da atual temporada do programa de TV “The Voice”.

Júlia Rocha & banda se apresentarão na mesma noite. A médica, cantora e escritora promete soltar a voz com sucessos como “O Homem que Falou” de Gonzaguinha, que lhe garantiu um lugar na equipe de Carlinhos Brow no famoso programa de talentos da televisão. Além disso, ela apresentará ainda em seu repertório algumas das músicas que canta desde os seus 14 anos, quando começou a se apresentar em bares e casamentos. Hoje ela comanda sua própria roda de samba em BH, quando além de cantar também demonstra sua habilidade no violão e no cavaquinho.

Dividindo seu tempo entre o atendimento à população de Pará de Minas, e a música, a Dra. Júlia Rocha tem obtido muito sucesso e repercussão com seu trabalho. Seja em postagens nas redes sociais que sensibilizam pessoas de todo o Brasil com um olhar humanizado quanto a seu trabalho como Médica da Família, ou com sua inigualável voz.

Para o show do Samba da Consciência, Júlia levará um repertório de sucessos consagrados por nomes como Maria Rita, Roberta Sá, Clara Nunes e outras grandes cantoras do samba.

SERVIÇO

Samba da Consciência
Data: sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Horário: A partir das 22h30
Local: Casa do Jornalista (Avenida Álvares Cabral, 400, Centro, Belo Horizonte)

Entrada: R$10 (lista amiga*) e R$15 (portaria)
Atrações: Grupo Camafeu, Júlia Rocha (The Voice) & banda
Informações: 31 3322-5011 e www.fb.com/GrupoCamafeu

Classificação: livre

OBS: * email para eventoculturabh@gmail.com
Contatos com a imprensa: (31) 9184-2023 e camafeubh@gmail.com

 

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