Mesa-redonda em Coronel Fabriciano debate violência contra profissionais da imprensa

A violência e a censura praticada contra jornalistas em todo Brasil serão tema de uma mesa redonda nesta terça-feira 10/11, às 20h55, no Auditório Padres do Trabalho, no Centro Universitário do Leste de Minas (Unileste), em Coronel Fabriciano. Participarão do debate: o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes, o secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, professores e jornalistas. Organizado pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste), o debate faz parte da Semana do Congresso da Escola de Ciências Sociais Aplicadas (Consisa), que acontece entre os dias 9 a 13 de novembro.

Na oportunidade, haverá o lançamento do documentário “Impunidade Mata”, que conta a história do assassinato do jornalista Rodrigo Neto, morto em decorrência do exercício da profissão, em 8 de março de 2013, em Ipatinga. O curta traz depoimentos de colegas de trabalho de Rodrigo Neto, do presidente do Sindicato dos Jornalistas, de integrantes do Comitê Rodrigo Neto e da ex-ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

O vídeo foi produzido pela Organização Não Governamental Artigo 19. Com sede em São Paulo, a ONG trabalha na defesa da liberdade de expressão, acesso à informação e liberdade de imprensa, acompanhando casos que envolvam graves violações contra comunicadores. Thiago Firbida, representante da Artigo 19, também estará presente ao debate.

A mesa redonda ainda terá a participação de uma representante do Comitê Rodrigo Neto, a jornalista Gizelle Ferreira. O comitê foi criado por profissionais da imprensa de Ipatinga logo após o assassinato do repórter, com o objetivo de cobrar rigor na apuração do crime. O grupo também foi responsável por produzir uma série de reportagens sobre os casos para os quais Rodrigo cobrava incessantemente por justiça. À época, um dossiê com os principais casos foi entregue ao então governador de Minas, Antônio Anastasia.

Para Gizelle Ferreira, o evento é uma maneira de fazer com que o caso não caia no esquecimento e também uma forma de esclarecer aos futuros jornalistas sobre a necessidade da federalização dos crimes contra os profissionais de imprensa. “Não podemos esquecer que o crime contra Rodrigo não foi completamente solucionado. Ainda falta saber quem são os mandantes e a motivação. Após a morte dele, outros profissionais morreram e estão sendo ameaçados. Nosso dever enquanto jornalistas e estudantes de jornalismo é cobrar para que os crimes contra os profissionais da imprensa seja federalizado para que a Polícia Federal possa fazer as investigações”, disse.

Os assassinatos

O jornalista e radialista Rodrigo Neto foi assassinado em 8 de março de 2013. O crime aconteceu no bairro Canaã, em Ipatinga. O repórter saía de um churrasquinho quando dois homens em uma moto se aproximaram. O carona sacou uma arma e efetuou três tiros certeiros contra a vítima, que morreu a caminho do hospital.

A Polícia Civil e o Ministério Público apontaram o ex-detetive Lúcio Lírio Leal e Alessandro Neves Augusto, o “Pitote”, como sendo os autores do crime. Em abril de 2013, o repórter fotográfico Walgney Carvalho também foi morto a tiros em um pesque-pague em Coronel Fabriciano. De acordo com as investigações, “Pitote” apareceu mais uma vez como suspeito. Para a polícia, não havia dúvidas de que Alessandro queria “calar a boca” de Carvalho, já que o repórter dizia que sabia quem havia matado Rodrigo.

Em junho do ano passado, Alessandro Neves Augusto, o “Pitote”, foi condenado a 16 anos pela morte de Rodrigo, e por uma tentativa de homicídio contra o amigo do jornalista que estava com ele na hora do crime. Em agosto de 2014, o ex-policial civil Lúcio Lírio Leal foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do jornalista. Em junho deste ano, “Pitote” foi julgado e sentenciado a mais de 14 anos pelo assassinato do repórter fotográfico.

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