Campanha Salarial 2015: saiba como estão as negociações

O Sindicato dos Jornalistas já negocia com os patrões as reivindicações da Campanha Salarial 2015/2016, conforme pauta aprovada na assembleia do dia 26/2. As empresas jornalísticas de Minas querem enfiar goela abaixo dos jornalistas e radialistas um índice de reposição de 5%. Ou seja, bem inferior ao índice da inflação do período, de 8,42%.

Todos os sindicatos patronais já receberam a pauta. Foram realizadas reuniões com representantes das empresas de rádio e televisão da capital e do interior e com representantes de jornais e revistas da capital. Também já foi marcada reunião com a Federação Nacional da Cultura (Fenac), que engloba entidades recreativas, clubes e associações, para o dia 6 de maio.

A mobilização da categoria está sendo feita em conjunto com o Sindicato dos Radialistas, com o objetivo de fortalecer a luta. A principal demanda da categoria é a reposição do INPC do período, além do aumento real.

Outras reivindicações prioritárias são a concessão do tíquete alimentação ou refeição; implementação de garantia do emprego após assinatura da convenção coletiva, auxílio creche, acúmulo de funções, pagamento de valor correspondente ao do vale-transporte para os profissionais que usam transporte individual, inclusive bicicleta; adicional de salário por quinquênio trabalhado na mesma empresa; reconhecimento como dependente de planos de saúde o companheiro ou companheira que comprovar em união estável e homo-afetiva, transporte fornecido pelas empresas cuja jornada se iniciar ou terminar entre 23h e 5h30, wi-fi liberado nas redações, além de multas por atraso no pagamento do salário e do FGTS e por descumprimento de cláusula do instrumento normativo, além da manutenção das conquistas já previstas que não sejam objeto de melhoria.

De forma geral, as negociações estão complicadas, os patrões resistem inclusive a fazer a reposição das perdas salariais. Na última rodada de negociações verificou-se a tendência dos sindicatos patronais, tanto de jornais e revistas quanto de rádio e televisão, de realizarem reuniões internas para trazerem uma contraproposta para os jornalistas. Os empresários esperam confirmar a tendência de queda da inflação.

Veja a seguir como estão as negociações.

Rádio e TV

O Sindicato já realizou três rodadas de negociação com os sindicatos das empresas de rádio e televisão do interior e da capital. As empresas da capital ofereceram 5% de reajuste, além da manutenção das cláusulas já acordadas nas convenções anteriores; o Sindicato recusou o índice e apresentou uma lista de prioridades – além do ganho real –, que está sendo estudada pelos patrões. As empresas do interior ofereceram 4,5% de reajuste, na primeira reunião, e elevaram este índice para 5%, na segunda reunião, além da manutenção das cláusulas anteriores. Elas também apontaram as reivindicações em relação às quais as negociações poderão evoluir: inserção da cláusula de crédito da matéria e de cláusula de liberação de wi-fi para uso exclusivo do trabalho. Na última rodada de reuniões, realizadas nos dias 27 e 28 de abril, a única cláusula em que os patrões avançaram foi a ampliação do auxílio creche para até a idade de 5 anos e 11 meses.

Jornais e revistas da capital

A primeira reunião com representantes de jornais e revistas da capital aconteceu no dia 16/4. Os patrões alegaram dificuldades econômicas e propuseram antecipação imediata do reajuste de 4% nos salários e cláusulas econômicas, além da manutenção das demais cláusulas em vigor. A proposta inclui a retomada das negociações no prazo de seis meses, quando um novo reajuste seria avaliado, considerando as condições da economia. O Sindicato não concordou. Na segunda reunião, no dia 27/4, o patrões não mudaram em nada sua proposta. Eles assumiram compromisso de se reunirem entre si para discutir as reivindicações.

INPC é de 8,42%

O Sindicato solicitou ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese um estudo para subsidiar a campanha. De acordo com o Dieese, o INPC acumulado até 31 de março é de 8,42%. A perda salarial da categoria cuja data-base é abril foi de 7,76% no período. Os assalariados não podem esquecer que entre o início do mês e o dia do pagamento o salário já sofre perda, em decorrência da inflação. Assim, segundo o Dieese, o salário de abril de 2014 já valia só 99,23% do valor reajustado; depois de seis meses, valia 97,60% e no final de março passado, só 92,24%.

As propostas patronais representam um achatamento salarial ainda maior, pois sequer recuperam o valor dos salários que recebíamos um ano atrás. Por isso também a categoria precisa lutar por aumento real. O Sindicato conclama todos os jornalistas a se manterem mobilizados para lutar pelas reivindicações aprovadas em assembleia e por aumento real de salário.

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